Ouvidos e sentidos
Meu sexto sentido sempre dizia: “não é de você que ele gosta”
E eu sempre sincera abria o jogo e te falava como me sentia
Você mentia
dizia “é você que eu quero”
e “te amo” como se fosse “bom dia”
mas eu te pedia
“por favor, não faz assim, vou acabar acreditando”
e você falando: pode confiar
não vou te magoar
mas como eu sabia
você só tava inventando
nunca foi por mim que tu sentiu amor
mas pra que mentia? só me causou dor
eu sempre soube que não era recíproco
mas sempre questionei
me importei
te cuidei
te amei
até onde deu
até você cansar de mentir
e me botar pra escanteio novamente
me usar de stand by frequentemente
só te pergunto: pra que voltou? pra que fingiu que era comigo que queria recomeçar?
aquele nunca foi o meu lugar.
errei em ter te ouvido
mas eu precisava tentar novamente confiar
pena que foi contigo
que me machucou
e se virou
provando mesmo ser aquele alguém que eu dizia
que nunca me amou.
escrevo sobre quem não (me) lê
Depois de 8 meses juntos
De 2 poemas que, de coração aberto, escrevi pra ele
Nunca achei que em tão pouco tempo alguém pudesse ferir tanto.
Pedi um trilhão de vezes
“Não faz igual a ele, eu te imploro, não tô pronta pra sofrer de novo”
Acho que me ouviu
Não fez igual
fez pior
Foi filho da puta com gosto
Me bloqueou em tudo
E me humilhou o suficiente pra eu não conseguir esquecer
No fundo, eu agradeço que tenha sumido de vez da minha vida
Mas não perdoei ainda toda a maldade que fez comigo
Nem sei se perdoarei…
Só o mesmo tempo que me mostrou a pessoa cruel e fria que você é pode dizer isso
confluindo pra dentro
Cê entrou em mim
e n t r o u
Sexualmente
Sentimentalmente
Com espaço
Respeitou
Me ouviu
E me sentiu
Sinto seu suor
E pela primeira vez eu amo sentir o suor de alguém
Pq são as partes do seu corpo
Se misturando às partes do meu
E a gente vira um só.
Cê me ouviu gemer
Sexualmente
Sentimentalmente
Mas vc tava lá
Nos piores dias
Nos prazerosos dias
Vc me proporcionou êxtase
Na cama
No chão
No banheiro
E até dormindo
Cuidou de mim
Quero cuidar de ti
Mas não sei se ainda existe possibilidade de te cuidar
Se vc deixa
Se vc quer.
Eu sei lá
Te desejo tanto
Fora
Dentro
Quando me perturbava dizendo “piscininha, amor”
Sinto falta
De vc aqui
Só faz uma semana, mas já parecem meses…
Fica dentro de mim,
Por favor?
Sexualmente
Sentimentalmente
Onde e como vc quiser!
m.s
3º
São fases
A lua
Como a vida
São fases…
Esse ano parei e pensei
“É o terceiro. Por que ainda dói?”
Já não é mais amor
Também já não é mais saudade só
É sobre sua ingratidão
Sobre sua frieza
De nunca ter me dito “perdão por tudo que te causei”
Porque vc ainda causa
As minhas insônias
Medos
Traumas
Dores
Choros
Mas não por amor
Não sei se por falta ou por excesso
Faltou gratidão
Ainda sobra sua frieza
De parecer ter apagado tudo que fomos e vivemos juntos
De nunca ter agradecido pelas minhas atitudes e de ter me pedido perdão pelas suas últimas
Não sou perfeita
Eu sei
Nunca fui
Nunca seria ou serei
Mas fui sincera o tempo todo
Tu que decidiu ir embora, mas eu quem se sente desleal
Por não ter cumprido minha promessa do “eu vou estar aqui pra sempre”
Mas… eu ainda tô, tá? Se vc quiser voltar
Falar
Abraçar
Olhar
Eu ainda tô
Pra ser tua amiga
como sempre fui
Foi mal por não ter podido te dar o infinito de coisas que vc queria ter
Ainda tenho ouvidos
Pra caso queira um dia falar
Até que eu não tenha mais voz pra te responder…
Mais um dia frio dentre tantos
Eu disse que os dias frios sempre me dão medo
Que eles sempre fazem piorar a depressão que às vezes parece sumir
Ela me perguntou: “pq os dias frios? Eles te lembram alguma coisa?”
Foi a primeira vez que pensei sobre isso. Pra respondê-la. Sim, eles lembram.
Lembro de qnd ele falou: “eu sei que qnd chove vc chora sozinha no seu quarto…”
Vc acabou cmg. Mesmo dps que terminamos. Vc ainda me conhecia mais do que todos. E eu ainda queria que fosse vc o meu refúgio.
Mesmo que fosse vc o motivo dos meus choros…
O quanto vc me largava, e a gnt brigava, e vc sumia, e eu só te queria por perto, e vc só me/se afastava.
Esses dias chuvosos ainda parecem os mesmos dias, os mesmos sábados frios que vc não aparecia, que vc me deixava sozinha e com medo e com sdd do seu cheiro.
Pq no fundo eu só queria ouvir sua voz antes de ir dormir.
Eu só queria um abraço teu dps daquela turbulência.
…
Contei algumas coisas pra psicóloga, ela me questionou prontamente: “vc sente que foi abandonada?”
Eu respondi, depois de mt chorar, que sim.
Mas eu errei. Na vdd, eu sinto que sou constantemente abandonada. Um abandono coletivo. Já nem sei quantos abandonos sofri dps de vc.
Acho que o pior deles foi o meu. Me abandonei. Me larguei de novo e agora preciso me cuidar. Não mais pra vc me ter nas suas mãos por quanto tempo mais quiser, mas agora pra tentar fazer por mim o que vc parece nunca ter feito: me amar.
Passo
Dei um passo à frente
passei a escrever sobre o presente
O passado passou
num passo que nem eu nem você controlou
Mas quem quer voltar um passo atrás
se a nuance da vida pressupõe-se que é viver sempre mais?
Tenho medo de escrever sobre você
Por fim, o maior medo mesmo é que você fique na escrita
Saia da minha vida
Porque o que mais importa pra mim é a sua presença
Seja pelo seu cheirinho delicioso que contagiou meu sábado pós-aniversário
Seja pela sua paciência de todos os sábados
De esperar
De estar
De ser
O alguém que é pra mim
De ser alguém que apoia, que ri, que diz “calma, eu tô aqui”
Que parte do carinho mais carinhoso pra ousadia mais ousada
Mas a gente não precisa ser pra sempre, né!?
A gente só precisa fazer com que esse instante bom seja o sempre que a gente sempre vá lembrar…
m.s
Nós
Não aqueles que ficaram na minha mente
Não aqueles que estão no meu coração e estômago toda vez que lembro da sua voz, cheiro ou abraço
Não aqueles que atam e desatam
Como nós
Não.
Peraí.
Não são esses.
É aquele.
Dêixis msm.
Não é sobre estes nós, é sobre aquele nós.
Aquele que é sinônimo de ‘a gente’
…
Talvez nossa história tenha um pouco de gramática envolvida.
Sintaticamente falando, esse a gente não pode ficar junto pra exprimir sentido de nós.
Nós somos esse a gente.
Que não pode ficar junto.
Não pra escrever uma história.
Tô procurando entender o distanciamento…
Tá, mas, vou lembrar quando ainda éramos ‘agente’ (ou nós – como prefira).
31/08/2013. Te olhei pela primeira vez. Me olhou pela primeira vez. E pra ser bem sincera: eram os primeiros e os últimos olhos que eu queria ver na minha vida.
24/11/2014: me prometeu que nunca iria embora. Me disse que estaria cmg, e não importa o que acontecesse, ficaria pra smp. Acreditei. Tava deitada no seu ombro e tudo que eu podia querer tava ali: vc e o pra smp. Vc era morfina diante tudo que eu tava vivendo.
25/11/2014: vc tava lá. Era vc no dia mais horrível de todos. Só podia msm ser o cara que eu ia amar pra sempre, e que a minha vózinha, quem eu tava enterrando nesse dia, tinha dito “vcs ainda vão se casar e ser mt felizes”. Foram as palavras dela de poucas semanas antes de morrer, e a gnt prometeu né…
19/12/2015: a música “when we were young” define completamente esse dia. Se tivesse me dito “é o último abraço que vc vai me dar, é a última vez que vai sentir essa paz da confluência dos nossos corpos”, na boa, nunca teria te soltado. Como eu não queria naquele dia. Mas pensei “ah, sábado que vem ele tá aqui de novo”. Te soltei um dia, mas vc me soltou pra sempre.
Alçou outros voos. Dos quais já não faço mais parte.
É engraçado como o amor e o não-amor alteram o tempo. Hoje seriam 5 anos, mas daqui a pouco são 3.
…
“Let me photograph you in this light
In case it is the last time
That we might be exactly like we were”
Todas as madrugadas
As que eu pedi socorro
As que eu gritei internamente
As que eu chorei
As que o coração doía tanto que eu pensava que ia parar
Parar
Continuar
Eu me perguntava
Por que fez isso? Por que comigo?
Eu pedia a Deus, ao universo, ao orixá, até mesmo a Alá
“Me salva”, eu gritava baixinho
“Faz com que minha mãe sinta e venha aqui”, ela nunca sentiu
“Por favor, alguém!?”, quando tudo que eu mais queria era
não ser mais alguém
aqui
que existe
e respira
porque era só isso
Pra você era cômodo
foi só virar as costas
“Segue sua vida”, me disse
comprou casa, carro e cachorro
mas e eu? onde morava agora o coração que eu nem sentia mais bater?
Agora vou assistir grey’s anatomy
depois de tanto tempo
depois de tanto medo
de relembrar vc
mas agora não
vou ouvir hometown glory
e fingir que vc nunca foi uma coisa que me aconteceu
Agora quem me pede atenção sou eu
Sou eu quem diz “ei, para de assistir essa série pra me olhar um pouquinho
aqui” ou “ei, assiste isso pq vai te fazer bem”
Boa ida pra vc… pra onde eu nunca mais quero voltar…